Respeito à ciência, ao trabalho de pesquisa e à credibilidade
Escrever sobre a poliomielite, no mês em que se comemora o dia Mundial de Combate a Poliomielite, doença que o Brasil conseguiu erradicar em 1980, mas que agora ameaça voltar, me fez viajar no tempo para compreender o presente e desta forma revisitei o passado.
Voltemos a 1918, quando a gripe espanhola desembarcou em nossos portos durante a Primeira Guerra Mundial e levou consigo entre 20 a 50 mil vidas. O vírus? O influenza. Desde então, cientistas se dedicaram a estudá-lo sem descanso.
Na década de 1930, conseguiram identificá-lo. E, desde então, nunca mais pararam. Pesquisas, descobertas, avanços e o que se revelou ao longo do tempo é que o influenza é um vírus em constante mutação.
Chegamos a 2020. O mesmo vírus, agora fortalecido, reaparece em novas variantes e se transforma na pandemia do século XXI. Mais uma vez, vidas foram ceifadas. Mas desta vez, não apenas pelo vírus, mas também pelo negacionismo. O governo brasileiro, em sua teimosia, preferiu negar a gravidade da situação e desacreditar a vacina, alegando que não houve tempo para estudos sobre o vírus e a eficiência da vacina.
Ora, os estudos começaram em 1918. Os cientistas já sabiam com o que estavam lidando, empenhando-se ao máximo, pois o tempo era o grande vilão.
A ciência caminhou, acumulou conhecimento, construiu soluções, porém, o trabalho cientifico não parecia suficiente para o governo naquele período tão difícil. Ao lançar descrédito sobre a vacina, o governo não apenas atrasou o processo de salvar vidas, como também minou a confiança em outras vacinas, comprometendo um legado de credibilidade que levou décadas para ser construído.
A história nos mostra que a ciência é paciente, persistente e incansável. Já o negacionismo, ao contrário, é rápido em destruir aquilo que levou gerações para ser conquistado.
Retomando o tema sobre a poliomielite, há registros de que essa doença assustadora já existia havia mais de 3.000 anos no Egito Antigo, espalhando-se por todos os continentes. No Brasil, graças à vacina criada por Albert Sabin, iniciou-se uma campanha em massa de imunização em 1962.
Somente em 1980, a pólio foi erradicada no país. Porém, ainda não está eliminada mundialmente e isso significa que precisamos continuar vacinando nossas crianças.
Então eu pergunto:
Se temos uma vacina eficiente, por que corremos o risco de ver a pólio voltar?
O que mudou?