Rejane Moreto, literatura infantil
Escrever é dar voz aos silêncios e asas às emoções.
Textos

Enciclopédias e Caminhos

Na adolescência, entre risos e cadernos,

No Ginásio Cônego Sherer, tão terno,

Combinávamos, cheios de esperança,

O encontro sagrado, missão de adolescente.

Chamado da História, lição a cumprir,

E a juventude em dança, pronta a descobrir.

Na biblioteca Darcy Azambuja, templo do saber,

Nos reuníamos sem nada a temer.

Silêncio reinava, respeito pairava,

Mas a vontade de rir sempre nos cutucava.

Havia os nobres… os da Barsa em mãos,

Guardavam em casa os grandes tomos vãos.

Ah, a Barsa! “Google de papel,”

Com cheiro de mundo e toque fiel.

Folhear suas páginas era aventura,

Sentíamos crescer nossa estatura.

Cada verbete, um universo inteiro,

Nos fazia parecer mais verdadeiros.

Depois, pela São José a caminhar,

Tagarelando sem parar de sonhar.

A Sete de Setembro era nosso trilho,

Entre risos, segredos e brilho.

Encontrávamos uma fonte pelo caminho

A fonte jorrava água cristalina,

Mas beber? Jamais! Ordem da matriarca divina.

Só as mãos, num gesto refrescante,

Como um ritual sutil e elegante.

Às vezes, a pesquisa ali terminava,

Enquanto a rua ideias soprava.

Mas manusear a Barsa, ah, que emoção!

Nos dava um ar de sábia invenção.

Hoje, ao lembrar, o peito se aquece,

Pois a memória é chama que nunca fenece.

Entre livros, amigos e ruas de então,

Ficou gravado o mapa do coração:

A “bibliotoca” de toda uma geração.

29/01/2026

Rejane Pinheiro
Enviado por Rejane Pinheiro em 28/01/2026
Alterado em 21/02/2026
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