Enciclopédias e Caminhos
Na adolescência, entre risos e cadernos,
No Ginásio Cônego Sherer, tão terno,
Combinávamos, cheios de esperança,
O encontro sagrado, missão de adolescente.
Chamado da História, lição a cumprir,
E a juventude em dança, pronta a descobrir.
Na biblioteca Darcy Azambuja, templo do saber,
Nos reuníamos sem nada a temer.
Silêncio reinava, respeito pairava,
Mas a vontade de rir sempre nos cutucava.
Havia os nobres… os da Barsa em mãos,
Guardavam em casa os grandes tomos vãos.
Ah, a Barsa! “Google de papel,”
Com cheiro de mundo e toque fiel.
Folhear suas páginas era aventura,
Sentíamos crescer nossa estatura.
Cada verbete, um universo inteiro,
Nos fazia parecer mais verdadeiros.
Depois, pela São José a caminhar,
Tagarelando sem parar de sonhar.
A Sete de Setembro era nosso trilho,
Entre risos, segredos e brilho.
Encontrávamos uma fonte pelo caminho
A fonte jorrava água cristalina,
Mas beber? Jamais! Ordem da matriarca divina.
Só as mãos, num gesto refrescante,
Como um ritual sutil e elegante.
Às vezes, a pesquisa ali terminava,
Enquanto a rua ideias soprava.
Mas manusear a Barsa, ah, que emoção!
Nos dava um ar de sábia invenção.
Hoje, ao lembrar, o peito se aquece,
Pois a memória é chama que nunca fenece.
Entre livros, amigos e ruas de então,
Ficou gravado o mapa do coração:
A “bibliotoca” de toda uma geração.
29/01/2026