Um dia deixei minha cidade para concluir os estudos acadêmicos no sul de Minas Gerais. Foram dois anos intensos: fiz amizades, lecionei em três escolas diferentes, vivi experiências marcantes. Mas, nesse tempo todo, não consegui voltar para minha terra.
Por onde andei, buscava semelhanças, um cheiro familiar, um traço conhecido, um horizonte que me lembrasse de casa. Mas, além dos costumes, nada se comparava à vista do Guaíba, nem ao cheiro de mato que só minha terra tem.
Por um momento, pensei que poderia ficar por lá. A vida seguia seu curso, e havia beleza naquele novo lugar. Mas não consegui. Ao concluir os estudos, voltei com o coração cheio de saudades: da família, dos amigos, do lago Guaíba que, para mim, sempre será um rio.
Não havia um nascer do sol como o daqui. Por mais encantador que fosse o cenário mineiro, eu não sentia que era o meu lugar.
Acredito que o sentimento de pertencimento é como uma bagagem preciosa que carregamos conosco, cuidando para não perdê-la entre os caminhos da vida. Voltar para casa é um reencontro com quem somos.
Sou do time dos que amam voltar. Revisitar, retornar, permanecer. Porque há histórias que só podem ser escritas onde tudo começou e essas não se substituem.