Ao ler “Campereada”, de Paulo Mendes, no jornal Correio do Povo, fiquei fascinada com a simplicidade com que o autor relembra sua infância. Suas palavras despertaram em mim um verdadeiro filme mental, trazendo à tona memórias queridas dos meus próprios tempos de menina.
Lembrei da criação de galinhas, algo que minha mãe, de origem italiana, fazia com maestria. Além das galinhas, tínhamos patos, coelhos e gatos. Ah, os gatos… Havia uma gata chamada Gatita, que sempre escolhia minha cama para dar à luz. Minha mãe, então, corria para forrar o colchão. Sim, forrar a cama! Porque, lá em casa, os animais eram parte da família.
O carinho era tanto que, com o tempo, minha mãe decidiu encerrar a criação de galinhas e patos. Ela não suportava a ideia de abatê-los. E assim, o galinheiro, uma construção primorosa, feita pelo meu avô, era todo pintado de verde, com janelinhas amarelas gradeadas e permaneceu intacto. Meu avô, excelente marceneiro, fazia verdadeiras obras de arte com a madeira. O galinheiro, então, foi preservado e transformado em uma encantadora casinha de bonecas.
Tempos de infância feliz. Por isso, não apenas amei o texto de Paulo Mendes. Ele me fez viajar para uma infância antiga e doce, que ainda vive em mim.